Durante um bom tempo da minha vida eu fui apaixonada apenas pelas bandas com a capacidade de inovar. Eu ouvia uma banda de power metal esperando progressivo, ou uma de progressivo esperando sinfônico. E eu ainda sou, embora não tanto. O problema é que eu era crítica demais com as bandas que sempre mantiveram uma fórmula de som. Eu era preconceituosa, pra ser sincera.

Só que o tempo me ensinou a diferença que eu tanto falo: bandas que sabem inovar x bandas que sabem manter uma fórmula e inovar dentro dela. O segundo caso é o caso do Blind Guardian. Há anos a banda estabeleceu e vem evoluindo a sua fórmula de metal power-speed-melódico, com vários momentos sinfônicos. E o resultado da vez ficou bom demais em Beyond The Red Mirror.




E porque ouvir Beyond The Red Mirror?

Porque digamos que depois de A Night At The Opera (2002), os alemães trouxeram de volta a sensação majestosa de ouvir um álbum by Bllind Guardian. Beyond The Red Mirror dá sequência aos arranjos que apareceram bastante nas músicas da coletânea Memories of a Time To Come, e no álbum anterior à compilação, o At The Edge of Time: a banda investe em orquestrações muito bonitas mesmo.

O foco aqui é a narrativa, o quê não é surpresa vindo dos bardos do metal. Os músicos do Blind Guardian aparecem mais afiados do que nunca: Frederik Ehmke soa natural, rápido e marcante na bateria, enquanto André Olbrich e Marcus Siepen destilam riffs de guitarra pesados, rápidos e às vezes agudos, mantendo intacto o riff assinatura que faz você ouvir o Blind Guardian e saber que é o Blind Guardian.

E claro que não tem como não falar deles: os corais. Afinal, não é Blind Guardian se não tiver corais, muitos, e ao melhor estilo Queen. E Beyond The Red Mirror tem, sim senhor(a) Para você ter uma ideia, a banda trabalhou com 3 corais de 3 países diferentes: um de Budapeste (Hungria), outro da Praga (República Checa) e outro de Boston (Estados Unidos), isso sem falar das 2 orquestras de larga escala com 90 membros cada uma. É muita coisa junta.

Tudo isso para trabalhar criar esse álbum conceito que é sequência de Imaginations From The Other Side, de onde vem por exemplo a linda "A Past And Future Secret" e a brilhante "Bright Eyes" (o trocadilho foi ruim, eu sei). O vocalista Hansi Kürsch descreve como uma história entre ficção a científica e a fantasia (...) Os dois mundos descritos mudaram dramaticamente para a pior desde então. Enquanto costumava haver várias passagens entre os mundos, agora existe apenas uma porta restante: O Espelho Vermelho, que tem que ser encontrada a qualquer custo.

(Nesse momento as mesas de RPG choram de emoção)


Sem o cabelo comprido e principalmente,
a barba, Hansi é um bardo disfarçado de ninja

Falando em Hanshi Kürsch

Hansi é o meu destaque do CD. O vocalista trabalha como um maestro, conduz as músicas com afinação e paixão, e isso é importante: não importa se o trecho é calmo, rápido, um começo épico ou refrão de meio tempo: Hansi Kürsch coloca 100% de energia sempre, sem economizar. Isso é incrível e serve de exemplo: não importa o seu estilo, lírico, gutural, delicado ou melodioso, um cantor que faz vibrar, faz sentir fisicamente a adrenalina ou a emoção da música.. É sem palavras.

Mas crédito onde é merecido, se Hansi brilha tanto é porque ele tem o suporte fantástico dos corais. E de uma forma diferente, que eu gosto bastante: os corais não servem só como pano de fundo para dizer "mamãe eu sou sinfônico", os corais cantam com ele e fazem um dueto, praticamente. Bem bacana. Recentemente quem conseguiu o mesmo efeito foi o Epica com o The Quantum Enigma.


Destaques
"The Ninth Wave": o coral massivo e as orquestrações cinematográficas jogam no chão, você sentado ou em pé. Escolha inteligente de faixa de abertura, mesmo tendo 09:29 mins de duração, que na verdade passam relativamente rápido. Pegue um filme da Fase 3 da Marvel e coloque a música lá que com certeza casa direitinho.

"Twilight Of The Gods": a faixa é mais orientada para o metal e menos sinfônica, é a equivalente de "A Voice In The Dark" do álbum e você percebe isso na forma como a melodia é construída, principalmente nas guitarras. Entretanto, não é cópia descarada. Soa mais como uma referência. Os vocais são matadores.

"Miracle Machine": a balada do álbum tem inspiração gigante no Queen, e é uma delícia notar a referência. É um meio termo entre "Bohemian Rhapsody" e "The Miracle", ironicamente. A música se despe da mega produção e vem simples: vozes, piano e strings muito leves, dando uma orquestrada mínima e delicada.


Conclusão

Beyond The Red Mirror é grandioso e difícil de ouvir. A maior qualidade acaba sendo a maior vilã. Com 1 hora e 5 minutos de duração na versão regular (a que eu ouvi para fazer a resenha), o álbum tem tantos elementos, detalhes, encaixes de vocais e melodias que se você não ouvir com calma, acaba não notando e por tabela, não aproveitando. É uma ótima pedida para quem fica preso na fila do banco ou no trânsito de fim de tarde, por exemplo, risos.

O conjunto da ópera (juro, os trocadilhos acabam aqui) impressiona bastante. Há um tempo o Blind Guardian não gravava algo tão pesado, que tem referências no que a banda já gravou um dia, mas ao mesmo tempo oferece alguma coisa nova para o ouvinte mastigar, evitando fazer plágio de si mesmo igual acontece com certas bandas.

Esse é o tipo de álbum que impressiona de primeira, mas custa mais de 1 audição para você digerir, isso se você conseguir, o que acaba sendo bom. Mostra que o material é rico. Não acho que é um CD feito para ouvir todos os dias, mas é aquele que quando você ouve, você sabe que vai se divertir. De verdade.


Tracklist

1. The Ninth Wave
2. Twilight of the Gods
3. Prophecies
4. At the Edge of Time
5. Ashes of Eternity
6. The Holy Grail
7. The Throne
8. Sacred Mind
9. Miracle Machine
10. Grand Parade


Formação

Hansi Kürsch – vocais e backing vocais
André Olbrich – guitarra e violão
Marcus Siepen – guitarra
Frederik Ehmke – bateria, percussão

Pessoal adicional
Barend Courbois – baixo
Michael Schüren – piano
Mattias Ulmer – teclados, piano

Orquestras
Hungarian Studio Orchestra Budapest (Peter Pejtsik – condutor)
FILMharmonic Orchestra Prague (Adam Klemens – condutor)

Corais
Hungarian Studio Choir Budapest (Peter Pejtsik – condutor)
FILMharmonic Choir Prague (Stanislav Mistr – condutor)
Vox Futura Choir Boston (Andrew Shenton – condutor)


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Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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3 comentários :

  1. Hansi sem barba ?!



    Que eu lembre o Hansi nunca usou barba, assim como nenhum membro do BG seja ele oficial ou músico convidado, nem barba, bigode ou cavanhaque..... sei que o uso de barba no Heavy Metal é comum, principalmente ao estilo arabe quanto maior melhor hahahaha, talvez isso tenha gerado uma confusão.



    Sou muito fã de BG, mas curiosamente detesto RPG ou qualquer coisa do genero, escuto porque sou fã pra caralho da sonoridade deles, só isso.

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    1. Tive uma fase curta de curtir RPG aos 11 anos, acho, mas eu nem sonhava em "descobrir o metal." Mesmo hoje que eu conheço muito de ambos, ainda torço nariz pra RPG rs BG sai da curva porque eu gosto muito dessa coisa de "Queen do metal."

      E não é uma senhora barba, só que deu uma alterada no visual e me chamou a atenção http://www.rockhard.de/uploads/pics/RH_EXKLusiv_20141004_blindguardian_0509.jpg

      Mas enfim, como ninguém no BG é Sansão, a galera continua afinada como sempre com barba sem, calvo, com cabelo alá Primo It. Isso que conta. :D

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  2. "Falando em Hansi Kürsch"

    Sinceramente, além do vocal, gostaria que até hoje ele também tocasse baixo, como ele fazia nos primórdios dessa banda.

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