[CONTÉM SPOILERS] Olá, você tem um minuto para ouvir a palavra de Agents of Shield? (review)

*O TEXTO A SEGUIR CONTÉM SPOILERS (embora não muitos)


Quando o Waka sugeriu entrar na maratona falando sobre as séries da Marvel eu aceitei, mas avisei que ele me arrumou um problema. Imenso. Das 3 séries que a produtora tem no mercado -Agent Carter, Demolidor e Agents of Shield- eu me desdobro pra assistir as 3 e é justo a mais criticada (Agents of Shield) que é a minha favorita.

Raras vezes eu resenhei algo fora da música... Vou desbravar o momento like a Indiana Jones.

(Espera, franquia errada)

Antes de tudo, a sinopse. Oferecimento da Wikipédia:

A trama dos "Agentes da S.H.I.E.L.D." se passa depois da batalha de Nova York no filme Os Vingadores. O agente Phil Coulson (Clark Gregg) - que foi cobaia no projeto T.H.A.I.T.I. e voltou a vida - organiza um pequeno grupo de agentes para resolver casos que ainda não foram classificados.

A equipe consiste do "correto" agente Grant Ward (Brett Dalton), perito em combate e espionagem, da piloto e especialista em artes marciais agente Melinda May (Ming-Na Wen) e dos cientistas brilhantes mas introvertidos agente Leo Fitz (Iain De Caestecker) e agente Jemma Simmons (Elizabeth Henstridge). A eles se junta uma recruta civil, a hacker Skye (Chloe Bennet).

Nunca liguei para as produções da Marvel. Sempre achei os filmes Sessão da tarde-escos, e como eu prefiro coisas mais dark, o clique nunca foi definitivo. Mesmo os filmes do Capitão América, que mais sérios, eu levei anos até assistir, e mesmo assim foi pelo interesse de ver outros personagens, Peggy Carter e Natasha Romanoff.


Olá nostalgia, minha velha amiga

Abrindo o coração para Agents of Shield

Quando a Marvel anunciou a estreia de Agents of Shield, eu fiquei curiosa. Por anos brinquei de imaginar como seria o comportamento dela na TV, desenvolvendo os personagens, um dos aspectos dos filmes que eu nunca gostei muito. Assim eu abri o coração para a série, que não é a primeira produção para a TV inspirada nas HQs, mas é a primeira da era moderna.

A Marvel Television é diferente. Positivamente diferente. Agents of Shield explora de forma inédita e aprofundada a rotina da organização mais famosa do MCU: a Shield. Nós sempre vemos ela lá e cá, Nick Fury, Maria Hill, Iniciativa Vingadores, etc e etc, mas nunca vimos como a coisa funciona lá dentro, uma sacada bem pensada. Para isso o sensacional Clark Gregg trouxe Phil Coulson dos mortos, agora como o Diretor Coulson.

Existe uma lenda popular famosa entre críticos e fãs: a estreia foi arrastaa. Mesmo. Muita gente errou por assistir com a mentalidade do cinema, onde sobra luta e às vezes falta espaço pra desenvolver o personagem, equilíbrio que Capitão América 2 - Soldado Invernal achou e me conquistou, mas que Vingadores não me cativou tanto quanto assim*. Por isso muita gente abandonou a série.

(*Scarlett Johansson e Tom Hiddlestom, entretanto, sempre se superam)

Ok, eu também larguei, mas a minha desculpa foi justa. (faculdade) Mas quando eu retomei, não me arrependi. Era época da famosa conexão com Capitão América 2, que revelou a corrupção da Shield durante anos, tudo promovido pela Hydra. Até um dos agentes do Coulson revelou que era agente da Hydra e o season finale foi bombástico, com direito a aparição épica de Samuel L. Jackson.


Olá nostalgia, minha velha amiga [2]

Ah! Antes disso quem também apareceu foi a Cobie Smulders trazendo a gracinha linda de viver da Maria Hill pra fazer uma participação rápida, e já foi confirmado que no final da segunda temporada ela volta outra vez. Pense numa blogueira feliz e multiplique por trinta? Sim, essa sou eu.


A 2ª temporada é incrivelmente mais dark que a primeira.
Por enquanto é de longe a minha favorita. (sofrimentos à parte)

Criando o próprio universo sem depender dos medalhões

O desafio foi criar um universo ligado à Marvel, mas ao mesmo tempo independente dele porque sim, seria ótimo ter Jeremy Renner ou Scarlett Johansson no cast fixo, não fosse por um detalhe: gastos absurdamente altos. O impasse foi resolvido com atores e atrizes menos conhecidos, exceto pela dupla Clark Gregg e Ming-Na Wen, que é a heroína da sua infância e talvez você nem saiba.

Por isso o começo da série é lento. (relativamente) A lentidão não se justifica, mas se explica. Com só 2 nomes realmente conhecidos e só 1 conhecido dentro do Marvel-verse, os roteiristas precisaram de tempo pra dar nome aos bois, mostrar os traços de personalidade, as dinâmicas de relacionamento entre os personagens, as conexões com a Shield em nível de burocracia e emocional.

Começando do começo;

Phil Coulson é nobre de coração, ainda fanático pelo Capitão América, esbanja humor ácido e age como o pai que adotou várias crianças complicadas, viajando por aí e salvando o dia com ajuda delas. Quase um Professor Utônio A interpretação do Clark é ainda mais cativante, e você considera ele o Diretor da coisa toda, não importa o que aconteça*;

(*e acontece muita coisa)

Jemma Simmons e Leo Fitz (no popular, FitzSimmons) não me chamaram toda atenção do mundo no começo. Parecia ser a milhonésima versão do clichê do super cientista inteligente que sempre dá as caras nos CSI da vida, mas a medida que a 1ª temporada terminou e a 2ª começou e avançou... Os dois sofreram um giro de 720 graus. Principalmente no relacionamento um com o outro.

O que a Ming faz no papel da agente Melinda May é fantástico. A mulher tem 51 anos, interpreta uma personagem traumatizada, emocionalmente fechada, mas de uma competência como estrategista e artista marcial mesmo os inimigos reconhecem. As mudanças que ela sofre da 1ª para a 2ª temporada surpreendem, e você se apaixona por ela sem esforço.

Grant Ward é o agente-branco-bonitão-e-bom-de-briga. James Bond much? Ele podia ser bem mais interessante do que os roteiristas fizeram ele ser, porque é um personagem complicado e com morais duvidosas, mas meh. Se ele topar no meio fio da rua, bater a cabeça e empacotar, não sinto falta;

Por fim, Skye. No começo ela é uma hacker independente que acha tudo o máximo, vive desafiando a Shield ao invadir os sistemas top secret. A medida que a série avança ela sofre um desenvolvimento de cortar o coração por ser tão dramático. Já a vontade de proteger ela de tudo e todos continua igual desde a 1ª vez até o episódio mais atual da série.


Quem exibe a série

Nos Estados Unidos é o canal ABC, o mesmo da série Once Upon a Time. Toda terça-feira, por volta das 22h aqui do Brasil. Já aqui quem exibe é a Sony, repisado episódios aleatórios nas tardes de quarta, quinta e sexta (geralmente por volta das 16h), e episódios inéditos aos domingos, 20:30h. Esses tem o atraso de 2 semanas, ou seja, o episódio 2x18 foi ao ar em 14/04 nos Estados Unidos, mas a Sony só exibe em 26/04.

Acho isso uma pena quando vejo a Fox Brasil, que manteve o mínimo de atraso entre a exibição americana e a brasileira de The Walking Dead. Não tem TV a cabo? Recentemente quem -para a minha total, absurda e espantosa surpresa- começou a exibir a série foi a Rede Globo. O horário infelizmente pode ser ruim pra muita gente: de segunda a sexta, mais ou menos depois de 01:30h da manhã, porque as séries raramente são respeitadas na TV aberta. Mas o esforço vale a pena.


Outras coisas que você precisa saber

A trilha sonora é de encher os ouvidos. Porque se você acha que eu, justo eu, não ia reparar na música da série.. Quem comanda a música de Agents of Shield é o americano Bear McCreary, o mesmo cara por trás das trilhas sonoras das séries Battlestar Gallactica, Terminator: The Sarah Chronicles, Caprica, The Cape, Human Target, Defiance, Da Vinci's Demons e Black Sails.

(Inclusive eu assisti Terminator, uns episódios de Da Vinci Demons e a 1ª temporada de Black Sails, mas isso é outro assunto, RISOS)


Pra quem saca de inglês esse vídeo é uma ótima pedida.
Dá pra ver os bastidores da gravação do tema principal e ao mesmo tempo ouvir partes dele.


PS: o título desse vídeo, a descrição, a imagem (resumindo tudo) tem um spoiler da temporada atual, então não vou incorporar ele aqui. Mas eu recomendo umas 800 vezes que quem quiser se aventurar em ouvir, é uma das músicas mais bonitas, tristes e marcantes da história da série.

Produção, efeitos visuais, figurino? Eu gosto, destaque para o figurino. Como a série é um drama de ficção científica, ação e aventura espião, cores sóbrias dominam, mas uns personagens quebram esse padrão e fica bem bacana. Os efeitos visuais são divertidos, os atores vira e mexe falam de como as vezes eles se sentem bobos por serem obrigados a "imitar" quem usa um holograma ou tem um poder especial, quando na verdade nada existe.

(mais RISOS)


A questão da representação e diversidade

Esse assunto é mega, mega (repita mega 999 vezes) discutido. Sou contra fazer mudanças forçadas só para ganhar pontos com a galera que defende certas causas sociais, porém sou contra a ignorância. Sou a favor da mudança natural. Mudar pela vontade de mudar, por reconhecer que nunca é tarde pra uma mulher ter mais espaço, por exemplo.

Agents of Shield acertou nisso, oh sim. A série vai na contramão até mesmo da Marvel, que falha com sucesso (e porque quer) em não desenvolver as personagens femininas, fato que eu torço com todas as torcidas do Brasil que o filme da Capitã Marvel ajude a mudar.

Não é difícil ver mulheres no cast da série que sejam de outras etnias: Ming é chinesa e Chloe Bennet é parte chinesa. Ruth Negga, que interpreta a elegante Raina é parte etíope. Já Elizabeth Henstridge, é britânica. (o sotaque deixa bem evidente, risos) Essa mistura torna a série mais dinâmica e pela primeira vez em anos, faz uma produção da Marvel não ser tão dependente assim de personagens masculinos.

OK, eles também são importantes. A começar pelo Coulson, duh. Mas a série mostra que a minha maior crítica é fundamentada: você pode sim criar um universo forte onde homens e mulheres sejam relevantes, sem tirar espaço uns dos outros. Exceto pelo Ward, ele é a definição pura e viva das coisas e estereótipos que mais me irritam.


Veredito

Vale a pena assistir? Vale. Afinal é regra da casa, não faço nenhuma resenha de algo que eu não ache que não valha a pena investir o seu tempo. É interessante ver como a Marvel investiu pesado no lado humano dos personagens, e isso foi muito bom porque venceu o maior preconceito que eu tenho com o mundo dos heróis: tudo é muito super, falta gente de carne e osso (e sem poderes) lutando pra se encontrar.

Cenas de luta, soldados armados, carros, jatos invisíveis, exército, o famoso Hellicarrier, aventura, parafernalhas eletrônicas, tudo isso existe, embora em doses moderadas, por isso muita gente acha tedioso. As pessoas esquecem que se todo personagem da Marvel ou da DC fosse 100% super, nada disso teria graça.

Super heróis sem poderes existem, e Agents of Shield mostra isso. Pessoas humanas, sentimentos humanos, a forma humana de encarar raças alienígenas, deuses e mutantes, por isso você se identifica mais facilmente com os dramas deles. Afinal eles são a Shield e isso é irônico: humanos normais e sem graça salvando humanos indefesos de super humanos (ou tendo a ajuda deles) e de super vilões.

É claro que a série tem seus defeitos. O maior é a mania de vira e mexe criar choque de valor com certas cenas, que você pensa isso era realmente necessário? Ou jogando tanta informação na cabeça do telespectador que ele fica perdido. Mas no peso de prós e contras sim, os prós se sobressaem.


Nota de rodapé: conexão com Era de Ultron? Vai ter sim

Foi confirmado no começo da semana que sim, o final da 2ª temporada de Agents of Shield vai ter easter eggs de Vingadores 2 - Era de Ultron, Você pode ler mais detalhes aqui.

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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