Não me arrependo de ter ignorado o retorno do Evanescence, pois assim como aconteceu com o Nightwish, o comportamento dos fãs tornou num inferno a minha experiência de acompanhar a banda. Parece mais um berçário do que gente na casa dos 20 e poucos anos, tamanha a imaturidade. Eu sei que as mulheres do rock/metal devem muito à Amy Lee, que ajudou -junto com a Tarja- a popularizar a ideia do female fronted nos anos 2000, mas ainda assim... Eu insisto.

Entretanto, dessa vez não deu para fazer o mesmo com outra notícia relacionada: a saída do guitarrista Terry Balsamo abriu espaço para Jen Majura, uma guitarrista cujo nome me é levemente familiar. Pensei, pensei, e por um milagre do divino lembrei de onde eu conheço a moça: ela é a atual baixista do Equilibrium, que viu a saída de Sandra van Eldik em 2014. Por isso não a recoheci de imediato. Achei a contratação deveras bacana em ambos os casos, mas no caso do Evanescence ela pode dar um fòlego de novidade ainda maior.

Só que é claro que apesar da felicidade, eu tinha que perder a paciência por ler alguma coisa nas redes sociais. É sempre assim.

A publicação (bem idiota e machista, por sinal) pergunta se com a chegada da guitarrista, haveria competição no Evanescence entre ela e a Amy Lee, e se a chegada faria a vocalista deixar de ser o centro das atenções. Eu li, reli, li o post de novo e respirei, fiz yoga, fiz shiatsu, contei até 1 milhão e aguardei até ter a chance de escrever o texto, pois a semana foi muito corrida. Então aqui eu cheguei, finalmente, por isso vamos trocar uma ideia sobre o assunto:

Se a primeira ideia que nós temos ao ver duas mulheres no mesmo projeto é "quando é que sai a treta", ao invés de "que fod*! tomara que faça sucesso infinito", tem coisa errada. Muito. Porque me arrepia a pele ver a sociedade 2015-ista, tão liberal, tão ativista, tão revolucionária, ainda ter esse pensamento automático velho e pobre, achando que todas as mulheres do mundo são galinhas de rinha que não sabem ser amigas, mas apenas brigar.

Ok, por um lado é verdade. Muitas mulheres alimentam essa ideia, então é difícil dizer que apenas os homens são culpados, o que não é o caso. Tem culpa pra todo mundo, para dar e vender. Homens e mulheres não sabem lidar com a ideia de que duas ou mais mulheres podem estar juntas num mesmo projeto, e serem profissionais. 

Jen com o Equilibrium

Jen Majura é uma figura interessante. Nascida na Alemanha, toca guitarra e canta, tendo no currículo passagens por festivais tais como Hellfest, BangYourHead, Masters of Rock, 70.000 Tons of Metal e até a Meca do Metal, o Wacken Open Air. E você pensando que ela era marinheira de primeira viagem, hein? Seguem dois vídeos dela tocando e um cantando ao vivo com o Rage:





Fiquei feliz. Sempre considerei mulheres vocalistas e instrumentistas partes do female fronted, mas a moda das vocalistas genéricas de Tarja Turunen "foi" tão forte que de certa forma inibiu o surgimento de baixistas, guitarristas, ou então, inibiu a promoção das já existentes. A prova? Lzzy Hale, vocal e guitarrista do Halestormcaiu na boca do povo mesmo após o Grammy 2013, sendo que a banda está na estrada desde 1997. No HMBR, entretanto, você conheceu a banda 1 ano antes do Grammy com a resenha de The Strange Case Of.


Mesmo assim, não sei se isso resgata meu interesse pelo Evanescence. A notícia é super legal, torço pelo sucesso da banda e espero que a Amy explore o potencial da guitarrista tanto em termos de som, quanto em termos de imagem, porque se uma mulher bonita e talentosa é bom, duas o mundo agradece mais ainda. Gosto da Amy como vocalista, porém para mim, a banda deixou de ter o valor que teve um dia.

Ou traduzindo: eu descobri que o mundo do rock/metal vai muito além do Evanescence. E fui embora.

Ao menos eu não desprezo a banda, diferente de certas bandas finlandesas. Só não tenho mais a menor paciência com o comportamento imaturo dos fãs. Se você não é um dessses, ficamos no 0 a 0. No mais, deixo meus parabéns aos envolvidos, desejo sorte e desejo que um dia de talvez quem sabe, a gente mude essa mentalidade.

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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