Sempre gostei de séries policiais mais do que qualquer gênero. Nunca cliquei 100% com sitcoms, e de séries medievais até hoje só gostei mesmo de Xena, embora Vikings seja interessante. Por isso não foi esforço encarar o piloto de Blindspot, que junto com outras série havia vazado na internet há algum tempo. E vou te contar: eu gostei do que vi! Até acabei meio surpresa.

A atmosfera tem o suspense e a agitação típicos do universo FBI-esco, e o episódio não perde tempo em te deixar de cara com a já famosa cena onde a nossa Jane Doe sai de uma bolsa, no meio da Times Square, nua, coberta por tatuagens e sem memória. Com isso o episódio foca na busca por qualquer detalhe que ajude a desvendar a origem da personagem, e a forma como isso acontece é interessante, ligeiramente fora da caixinha.

Se você gosta de The Blacklist, tem chances extras de gostar de Blindspot. A trama é positivamente confusa, pois essa cama de gato é o grande charme.

Gostei como a história foi conduzida. "Jane" é uma vítima de sabe Deus que loucura, e os agentes não apenas sentem se sentem mal pela personagem estar totalmente perdida no mundo, mas porque eles também estão perdidos sem saber como ajudar. Jane não sabe quem é, de onde veio, nem sabe para onde ir, por isso "vai ficando" com o FBI enquanto o agente Kurt Weller corta um dobrado tentando entender como o seu nome foi parar tatuado nas costas de uma mulher que ele não conhece, e que não conhece ele. Só que Jane (e enquanto o nome real dela não surge, também vou chamar de Jane), está longe de ser uma vítima típica.

Jaimie Alexander -tal como eu esperava- incorpora muito bem a "bipolaridade" da situação. A atriz sabe convencer quando tem que ser a Jane perdida, sem parâmetros de pratos favoritos, se ela prefere chá ou café, ou sem mesmo saber quem é o atual presidente americano. Entretanto, embora a sua memória tenha ido embora, ela ainda misteriosamente manteve a memória cognitiva intacta, sabendo por exemplo, reconhecer o que é música, mas não sabendo reconhecer uma banda famosa.

Indo além: a personagem também tem noções de moral intactas. Aceita ajuda, quer ajudar, e não aceita ser 100% colocada em segundo plano quando descobre que pode ser mais útil que o esperado, até porque as situações que surgem podem levar ao descobrimento da sua origem. O que é claro que não acontece.

As performances do restante do elenco também me agradaram, mas principalmente da atriz Marianne Jean-Baptiste que senhoras e senhores... É Bethany Mayfair, a diretora do FBI! Uma mulher, negra, de muita atitude que dirige o cérebro da inteligência americana. Adorei isso, porque Marianne tem a postura e a atitude que o papel pede, então é fácil aceitar que ela é a chefe, fazendo os personagens trabalharem com boa sincronia e organização, embora o final do episódio mostre que essa liderança pode ser ameaçada no futuro.

Agora... Falando do andamento do episódio ainda mais a fundo. Ele me surpreendeu. Eu não esperava revelarem nada dos segredos da Jane de imediato, mas, contrariando a lógica, Blindspot mostra a origem da personagem. Mostra, mas não explica, deixa tudo incerto, vago e cruel para a curiosidade, o que não tira o mistério e pelo contrário, acrescenta mais drama e suspense.

Depois disso Jane tem lampejos de quem é de forma automática e aleatória, o que mexe com o seu físico e emocional de forma intensa. Ela ainda não sabe quem, mas sabe que sabe (redundante assim) fazer coisas X e Y, e essas coisas surpreenderam todo mundo, a mim e aos personagens. Eu só não me surpreendi mais porque eu já havia assistido aos trailers da série, mas descobrir que ela aprendeu tais coisas por vir de onde veio (que não é dito nos trailers, obviamente), foi algo como woah, os roteiristas seguiram por essa rota!

Surpreendentemente bem pensado.

Blindspot tem potencial. A série recorre a um clichê lá e cá, mas sem dúvida o mistério da origem de Jane Doe vai encucar o telespectador, e as pessoas vão assistir querendo ou não. A ambientação em termos de figurino é boa, sóbria e "dark" para dar a seriedade de costume de um drama policial, e a trilha sonora não é revolucionária, mas é eficiente. Além de tudo isso, se você quer mais uma vez se encantar com atriz Jaimie Alexander (o que é tarefa das mais fáceis), o piloto é uma excelente pedida.

Valeu a assistida. Recomendo.

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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