Silence In The Snow: quais são as expectativas para o novo álbum do Trivium?


Ok. Eu estou aos poucos finalmente voltando dos mortos com os textos focados em música, e hoje eu quero falar sobre um álbum que eu nem sabia que sairia esse ano, mas que assim que eu soube, entrou a jato na Eterna Lista do Ouvir Mais Tarde: Silence In The Snow, do Trivium, álbum que sai em 2 de outubro promete ser um capítulo no mínimo curioso. Os dois primeiros singles já despertaram o rage alheio e eu adorei, pois mostra aquilo que eu vivo dizendo: os fãs de metal são incapazes de pensar fora da caixinha do óbvio, ou de respeitarem que pensa.

Eles nem ao menos sabem se decidir! Se a banda muda, é vendida, se não muda, é cabeça fechada. 

Difícil, hein?

Silence In The Snow nasceu com base num conceito que além de ser fora da caixinha é interessante, e eu com o qual eu não deixo de concordar. Admiro o interesse/coragem da banda de confrontar o que ela está se propondo a confrontar porque o metal é isso: movimento. Enquanto umas bandas mudam pouco, outras mudam nada, outras mudam tudo e nós, fãs e consumidores, é quem ganhamos com essa variedade musical. Seguem os trechos onde o guitarrista Corey Beaulieu e o guitarrista/vocalista Matt Heafy se explicam melhor:

Todo mundo usa as mesmas porr*s de samples de bateria e isto ou aquilo, e mixam tudo da mesma maneira; não há nenhuma dinâmica, porque eles masterizam tão alto que quando você aumenta o som, dói. E nós meio que usamos isso como... O que todo mundo faz agora no metal, ou a forma como eles fazem metal, era uma espécie de, como, [vamos] não fazer isso - vamos fazer exatamente o oposto e fazer um disco que respira e tem dinâmica e tem a variedade de músicas, desde a música breve, direto ao ponto, até algo que tenha um pouco mais de elaboração. (Corey)
Para aqueles de vocês que estão se perguntando - esta canção [Silence In The Snow] foi escrita para o [álbum] Shogun, e é, basicamente, quase a mesma que ela era, então os fãs do Shogun alegrem-se; não gostou do Shogun? Você pode gostar disso.

Mas sei que desde que eu tinha 12 anos eu queria ser um grande cantor, eu gritava porque não podia cantar. Estou orgulhoso e animado de finalmente ser capaz de fazer o que eu amo o jeito que eu amo.

Não ama isso? Nosso material antigo ainda existe. Adorou? Sensacional. Eu amo ambos os lados de todos vocês, independentemente. (Matt)
Isso que o Matt disse em especial é outra coisa que eu, mera mortal falo há anos. Muito por causa das discussões eternas sobre a mudança no som do In Flames, outra banda favorita minha. Por exemplo: adorei o Siren Charms e ninguém me tira isso, mas apesar de ter demorado eu aprendi a gostar do Clayman, e muito. Resumindo: o fato da banda gravar um álbum X que você não gosta, não apaga da história aquele álbum que você gosta. Prefere o Ascendancy? The Crusade? Sem stress!

Agora o que fica chato é perturbar quem gosta do Ascendancy, do Shogun, do Vengeance Falls...

Eu entendo esse processo dos fãs ficarem na defensiva, mesmo que isso não aconteça muito comigo. Sempre fui atraída por bandas que quebravam expectativas, eu era a pessoa que procurava uma banda de power metal que fizesse metal progressivo, por exemplo. Assim eu conheci o Sonata Arctica, outra banda favorita. Hoje, entretanto, depois de 5 anos de site, aprendi aquela fórmula de que:

Bandas experts em trabalhar com uma fórmula;
Bandas experts em quebrar fórmulas;
Bandas experts em misturar ambos;

É questão de interpretação, e o Trivium vem meio que entre quebrar e misturar fórmulas, embora eu possa dizer que hoje (ainda mais com o Silence In The Snow vindo), o forte deles é a quebra. A banda mudou, e foi para melhor. Sim. Matt Heafy perdeu o feeling "emo" que ele tinha na voz, o que causou certo choque na primeira vez que eu ouvi Pull Harder On The Strings of Your Martyr. Era um vocal imaturo que tal como ele mesmo diz, se calçava mais na habilidade de gritar. Só que o tempo passou, a sua voz amadureceu e ficou mais cristalina, afinada, muito mais bonita.

Me impressionou o que ele faz em Blind Leading The Blind, sabia? Porque é muito fácil para uma banda de qualquer-coisa-core permanecer assim, ou pra uma banda surgir apostando só na agressividade, que com o passar do tempo fica vazia de sentido. "Ok, você gosta de gritar, ou só grita para esconder o fato de que não sabe cantar?" E é interessante porque o Matt é o segundo vocalista que eu vejo dizer isso em 2015, depois do Randy Blythe do Lamb of God.

O som da banda também seguiu essas mudanças, mantendo o mix de modernidade, peso, melodia, e boa produção.

Eu adoro o lado agressivo da voz do Matt, mas respeito a decisão dele. Música é arte, e toda arte deveria agradar -tecnicamente- primeiro a quem produz. Claro, ninguém produz apenas pela arte, não sou tão romântica assim. Mas quem cria conteúdo precisa se movimentar (eu insisto), não pode ficar preso(a).

O metal não pode ser 8 ou 80, galera. O gênero nasceu juntamente como um "grito de liberdade." Pode ser que Silence In The Snow seja o maior sucesso da banda, mas também o maior fail. Pode ser que nunca mais saia outro In Waves. Pode ser que saia algo melhor. Eu sei lá. Prefiro dar uma chance aos caras e sofrer um dia de cada vez.


Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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