Fala galera, beleza? Após um tempo voltamos com nossa sessão de entrevista e hoje temos o primeiro convidado a estrear a nova vertente, quebrando o legado musical do inicio do site. Recentemente, no dia 12 de outubro, ele fez história ao vencer a etapa Brasil da Capcom Pro Tour e garantir sua vaga na Capcom Cup. Você vai conhecer um pouco sobre nosso campeão Keoma, no nosso bate papo:

Olá Keoma, tudo bem? Se apresenta para o pessoal do site que ainda não te conhece.


Olá a todos do HMBR. Meu nome é Keoma, tenho 26 anos e jogo Street Fighter IV competitivamente desde 2009. Sou natural de Porto Alegre-RS e atualmente moro em Gravataí, também no Rio Grande do Sul.


Há quanto tempo você joga fighting games e quando percebeu que poderia jogar competitivamente o hobby?


Meu primeiro contato com Fighting Games foi em 1994/1995 pelo que lembro, com Mortal Kombat II. Não foi exatamente uma questão de percepção, mas de vontade de competir desde o começo. Street Fighter IV veio em um bom momento e foi acessível para todos, com certeza foi a porta que se abriu para que eu tivesse a oportunidade de competir.


Entrando no assunto principal, a série Street Fighter IV. Como foi sua escolha de personagem até se consolidar como uma máquina no comando do Abel?
Minha escolha de personagem foi um processo relativamente curto. Na minha experiência com Street Fighter IV, escolhi o Ken por notar alguns elementos similares do 3rd Strike, como o Voice Actor (Além disso sou fã do Daigo Umehara, então tentei começar com o antigo personagem dele). Em seguida tentei Sakura, mas tinha sérias dificuldades em vencer jogadores de Ryu no fliperama onde jogava, então decidi trocar para Ryu (também com pouco sucesso) e então finalmente assisti o Justin Wong na final da EVO 2009 jogando de Abel. Notei que o personagem era bastante similar a outros personagens de outras séries como The King of Fighters (que joguei por alguns anos) e imaginei que conseguiria me adaptar mais facilmente com ele. A partir desse ponto minha meta foi me tornar um especialista com o personagem.


Quem acompanha ou participa da cena dos jogos lutas brasileiras sabe da sua dedicação no estudo do jogo. Como você se prepara para conhecer a fundo o jogo, para as matchups e o principal, qual ponto de partida para reverter os “buracos” do personagem?


O conhecimento de jogo vem de diversas fontes, desde o ponto inicial com sites como shoryuken.com (o fórum, em especial), iplaywinner.com e gootecks.com além de blogs como o do antigo jogador de Abel Bustabust, YouTube (que já estava infestado de vídeos de SF4), e os três pontos cruciais que aconteceram com o tutorial do jogador japonês Nekojita, o Footsies Handbook do sonichurricane.com e o programa de treinamento do Cross Counter, o Fighting Game Mastery.





O ponto de partida para tapar os buracos no meu jogo é identificar a razão para qualquer derrota. Por mais que muitas coisas no SF4 sejam resultado de jogadas ensaiadas, é responsabilidade do jogador fazer com que tais situações não aconteçam. Para isso, treinei meus fundamentos de defesa e revisei boa parte das minhas derrotas, identificando onde o ponto inicial surgia, ou seja, como eu era atingido em um primeiro momento.


Na etapa brasileira da Capcom Pro Tour 2015 você levou com louvor e de forma invicta. Você acreditava que poderia carimbar o passaporte para a Capcom Cup sendo um dos poucos invictos de eventos Premier?


Na verdade, não. Apesar de tudo, eu não estava satisfeito com minha preparação e tinha completa noção do que meus oponentes eram capazes. Não apenas Haitani e Pepeday, mas todos os jogadores nacionais que conhecem meu jogo e se preparam para ele e para o Abel de modo geral. Mesmo que possível, as chances eram bastante baixas. Felizmente, consegui me concentrar apenas no momento e converter para um bom resultado.


Ainda sobre a CPT, como foi sua preparação e além dos japoneses, quem você via como principais rivais em um futuro Top 8 antes das eliminatórias terminarem?


Minha preparação consistiu em assistir partidas e simular situações de jogo onde a minha possível reação não estava clara o bastante. Também tomei nota de algumas dessas situações identificadas e criei uma lista com quais as minhas prioridades em uma determinada partida.
SOA Ibukiman e Keoma
Meus oponentes principais eram os sempre dominantes ChuChu e Ibukiman. Ultimamente, meu retrospecto online com Ibukiman não vem sendo tão bom quanto eu gostaria, mas acreditei que com os devidos ajustes poderia ter um resultado bom o bastante. Por sorte, não precisei enfrentá-lo. Quanto ao ChuChu, baseado em retrospecto e algumas previsões, treinei no dia anterior para apenas dois dos seus quatro personagens: Poison e Viper. Minhas previsões estavam corretas e o resultado foi satisfatório ao enfrentá-lo na primeira partida do Top 8.


Como é a sensação de encarar e derrotar um deus duas vezes?


Haitani é o terceiro (dos 5) deuses que enfrento. Honestamente, acredito ter alcançado um grau de concentração e autocontrole bom o bastante para conter o nervosismo de maneira que ele não afete a minha linha de pensamento durante uma partida. Atualmente eu não penso sobre quem estou enfrentando, mas sobre o que preciso fazer.





Sendo o principal nome do cenário competitivo, se um novato ou alguém que quer melhorar sua forma de jogar, lhe pedisse ajuda, o que você diria para eles iniciarem?


De maneira geral, o primeiro passo é realmente gostar do que se faz e se sentir confortável com o jogo ou com o personagem. A prática é importante para que você possa mover seu personagem conforme seus pensamentos. Se familiarizar é fundamental. Depois de alcançado esse grau de intimidade com o jogo, é mais importante estudar suas partidas do que jogar por muito tempo para não criar maus hábitos.


Conte nos um pouco sobre o rumo para o Dreamhack e a preparação para a Capcom Cup.


A ida à Dreamhack Winter é um feito da comunidade de Fighting Games do Brasil. Originalmente era uma campanha para a EVO, mas graças a alguns problemas acabamos transferindo para a DHW, com o consentimento dos doadores. A DHW é um Premier Event do mesmo peso que a CPT Brasil foi, então é uma oportunidade para conseguir me posicionar melhor no Ranking da Capcom Pro Tour e por consequência na chave final da Capcom Cup.





Quanto à rotina de treinos, é difícil dizer por ser uma das minhas primeiras experiências internacionais. É difícil pensar em um método efetivo para enfrentar vários dos melhores jogadores da Europa e do mundo, mas já estou refletindo bastante sobre qual seria a melhor aproximação.


Keoma agradeço a atenção conosco. Deixe suas considerações finais para nossos leitores e onde eles podem te encontrar para aprender mais sobre SF e acompanhar suas lutas.


Primeiramente, muito obrigado pela oportunidade. Um salve a todos do HMBR e a toda a comunidade de Fighting Games em geral. Um salve a todos os jogadores de Street Fighter do Brasil, pois de uma maneira ou de outra, tratei todos os meus oponentes como rivais e consegui muito da minha motivação para evoluir graças a cada um deles.

Caso queira me acompanhar, eu tenho uma página dedicada às minhas atividades como jogador em facebook.com/soullesskeoma. Além disso, venho fazendo sessões de partidas por stream no Twitch, em twitch.tv/00_keoma e costumo gravar algumas das minhas partidas e sets, deixando elas no canal do YouTube youtube.com/k3662x. Um pouco inativo no momento, mas também tenho um blog onde comento algumas das minhas experiências em competições e algumas reflexões sobre o jogo. O endereço é soullesskeoma.blogspot.com.
Keoma está classificado para a Capcom Cup, que acontecerá no dia 6 de Dezembro na PlayStation Experience. A cobertura da Capcom Cup você confere com a gente!

Atualização: nossa entrevista com o Keoma foi bem recebida e repercutida. Segue versão em inglês, traduzida pelo Caio Carvalho da FGC BR:

HMBR: Hello Keoma, how are you? Please introduce yourself to the people from the site that doesn’t know you yet.
Keoma: Hello everyone from HMBR. My name is Keoma, I’m 26 years old and I’ve been playing Street Fighter IV competitively since 2009. I’m from Porto Alegre-RS and currently living in the city of Gravataí, also in Rio Grande do Sul state.

HMBR: How long have you been playing fighting games and when did you realize that you could play your hobby in a competitive manner?
Keoma: My first contact with fighting games was around 1994/1995 as far as I can remember, with Mortal Kombat II. It wasn’t exactly a matter of perception, but willingness to compete since the beggining. Street Fighter IV came at a good moment and it was easily accessible for everyone, this was definetly the door that opened the opportunity for me to compete.


HMBR: Entering the main subject, the Street Fighter IV series. How was your character choice until you managed to dominate the control of Abel?
Keoma: My character choice was a relatively short process. In my Street Fighter IV experience, I chose Ken because I noticed he had very similar elements to 3rd Strike, specially the Voice Actor (I’m also a big Daigo Umehara fan, so I tried to start with his old character). After that I tried out Sakura, but had serious trouble winning against Ryu players at the arcade I used to play, so after that I tried out Ryu (also with little success) and then finally after watching Justin Wong at Evo 2009 finals playing Abel I noticed that he had a lot of similarities to characters from others fighting games series such as The King of Fighters (which I played for a few years) and imagined that I would easily adapt with him. So from this point onwards my main goals was to become a character specialist with him.

HMBR: All those who follow or participate in the Brazilian fighting games competitive scene knows of your dedication to studying the game. How do you prepare yourself to deeply understand the game, for the character matchups and mainly, what’s the starting point to identify the weaknesses of the character?
Keoma: The game knowledge come from a lot of different sources, starting from the initial point such as sites like Shoryuken.com (specially the forum), iplaywinner.com and gootecks.com, besides blogs such as the former Abel player Bustabust. Also Youtube (which was infected with SFIV videos already), and three crucial points that happened to the Japanese player Nekojita, the Footsies Handbook from sonichurricane.com and the Fighting Game Mastery program from Cross Counter. The starting point to nullify the holes in my game is identifying the reason for any defeat I had. Even though a lot of things in SFIV are the result of planned actions, it’s the other player responsibility to prevent that those situations don’t get to happen. For that, I trained my fundamentals in defense and review a good portion of my defeats, identifying where the starting point of these situations started, like, how was I first hit during a certain time.


HMBR: In the Brazilian Capcom Pro Tour 2015 event, you took the tournament unbeatable and in a praising way. Did you believe you could stamp your passport to the Capcom Cup going undefeated as very have done in premier events?
Keoma: In reality, no. Despite everything, I was not satisfied with my preparation and had complete awareness of what my opponents were capable of. Not only Haitani and Pepeday, but all the national players that already know my game and that had prepared themselves for it and for Abel in general. Even if it was possible, the chances were very low. Fortunately, I’ve managed to concentrate only in the moment and convert it into a good result.

HMBR: Still about the CPT, how was your preparation and beyond the Japanese players, who did you see as your main rivals in a future Top 8 before the pools ended?
Keoma: My preparation consisted in watching matches and simulating game situations where my possible reaction was not clear enough. I also took notes from a few of these situations and created a priority list in certain matches. My main opponents were mainly the always dominant Chuchu and Ibukiman. Lately, in my online retrospect with Ibukiman have not been as good as I would like to, but I also believed that with the correct adjustments I could get a decent result. Luckily I didn’t had to fight him. Regarding Chuchu, based on our retrospect and a few previsions, I practiced the day before for only of his four characters: Poison and viper. My provisions were correct and the result was satisfactory when fighting him the my first match at Top 8.

HMBR: What is the feeling of facing and defeating a god twice?
Keoma: Haitani is the third (of the 5) fighting game gods that I faced. Honestly, I believe to have reached a level of concentration good enough to hold my tension and self-control in a way to don’t let it affect my line of thoughts during a match. Currently I ignore who I’m facing and think more about what I have to do.

HMBR: Being the main name in the local competitive scene, if a new player or someone who wants to get better at their way of playing the game asked you for help, where would you tell them to start?
Keoma: In a general, the first step is really enjoying what you do and feeling comfortable with the game or with the character. The practice is important for you to move your character according to your thinking. Getting familiar with him is fundamental. After reaching this kind of intimacy with the game, it’s more important to study your matches instead of playing for a long time to prevent you from creating bad habits.


HMBR: Tell us bit about the road to Dreamhack and the preparation now for Capcom Cup.
Keoma: The travel to Dreamhack is an achievement from the Fighting Games Community in Brazil. Originally it was a campaign to Evo, but thanks to a few problems we ended up changing to DHW, with the approval from the donors. Dreamhack is a Premier Event in the same caliber as the CPT Brasil was, so it’s an opportunity to get a better position at the Capcom Pro Tour ranking and by consequence the final bracket of the Capcom Cup. Now about the training routine, it’s hard to say because it will be my first international experience. It’s hard to think about an effective method to face several of the best players in Europe and in from the world, but I’m already thinking about what would be the best approach to this.

HMBR: Keoma, thanks for your attention with us. Please leave your final considerations to your readers and where they can get to know you and learn more about Street Fighter and your matches. 
Keoma: First of all, thanks for the opportunity. Shotouts to all members of HMBR and all fighting games community in general. Another shotout for all Street Fighter players from Brazil, because in one way or another, I treated all my opponents as rivals and obtained a lot of my motivation to improve thanks to a lot of them. In case you want to keep up with what I do, I have a page dedicated to my activities as a player at Facebook.com/soullesskeoma. Also, I’ve been streaming my matches at twitch and I tend to record my matches and sets and post them at myYoutube channel. It’s a bit inactive at the moment, but I also have a blog where I comment a few of my experiences in competitions and a few reflections about the game. Check it out at soullesskeoma.blogspot.com.

Sobre Wakashimazu

Gamer de nascimento, guitarrista por insistência, se divide em três para dar conta de dominar o mundo da música, dos jogos e dos otakus, enquanto lida com a caixinha de surpresas chamada de vida. Pode ser encontrado no Last FM, na Live ou no fórum!

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