Por que o final de "24 Horas: Viva um Novo Dia" é tão importante?


Engraçado que esse é o meu segundo texto de 2016 sem ter um site como base, e que basicamente é o segundo a levantar uma pergunta. Nesse caso, uma pergunta importante, que eu não vou deixar a resposta no ar, mas responder porque é a minha obrigação moral. Vamos lá.

Gosto muito de séries de ação/drama policial. Esses dramas de espionagem e etc, onde 24 Horas é, sem dúvida um dos maiores nomes, mesmo que a maioria das pessoas que eu pergunte não entenda porque o meu carinho pela série, que recentemente tornou a ser a minha favorita com após os vacilos da terceira temporada de Agents of Shield, que acabaram sendo demais para mim e a minha paciência. Com isso eu me lembrei do mundo de Jack Bauer & cia, onde após 4 anos do final da série, voltamos com a minissérie "Viva um Novo Dia", só para reforçar a minha tendência de sofrimento.

[A PARTIR DAQUI O TEXTO TERÁ SPOILERS]



A série foi tudo o que 24 Horas sempre foi: frenética, cheia de ação, uma excelente trilha sonora do Sean Callery, e teve outro final angustiante, emocionante, incrível, e acima de tudo, inesperado. Me emociona só de lembrar. Por mais que 24 Horas tenha pecado em clichês, eu realmente não esperava que a minissérie terminasse como terminou, e olha que eu sou a pessoa difícil de surpreender por conseguir prever várias possibilidades. Como não achei ele dublado, vamos de original com legendas em inglês, mas eu explico o contexto em seguida:


O vídeo não vai até o final, mas contextualizando: após quase 12 episódios, os russos, atrás do Jack há algumas temporadas, sequestram ela que é uma das últimas pessoas ligadas ao personagem e viva: Chloe O'Brian. Ele, numa cena de impacto emocional imenso, encontra com os russos e se oferece no lugar da melhor amiga em troca da liberdade dela e da família, na qual ele pede para ela tomar conta. Com isso Jack Bauer vai enfim para Moscou, e o episódio, a série, terminam com um relógio silencioso. E isso foi mindblowing.

O relógio silencioso foi uma forma sensacional de dizer que Jack Bauer morreu, sem dizer que ele morreu, porque esse recurso sempre foi usado em memória dos personagens mortos durante a série. Serviu para fechar o ciclo do anti-herói como herói de forma amarga e esperada, já que desgraça em 24 Horas nunca é demais que não possa piorar, e para deixar uma mensagem mega importante: amizade importa. Jack e Chloe foram até esse final os únicos sobreviventes de nove temporadas, que foram colocados para trabalharem juntos e não se entendiam no começo. Ela é mal humorada, ele é cabeça quente, e esse relacionamento foi tão legal que deu vida ao famoso "Droga, Chloe!" que virou bordão entre os fãs.

Só que apesar do mau-humor e pavio curto, os dois eram os melhores no que faziam. Não tinha agente da UCT melhor que o Jack, nem analista (se não me engano era esse o nome?) melhor que a Chloe. Separados os dois conseguiam muita coisa, mas juntos não tinha um que parasse a dupla, exceto se recorrendo a truques mais baixos, feito essa barganha do final de Viva um Novo Dia. Os dois tinham sincronia, se completavam nas missões de campo, e a Chloe foi a única mulher da vida de Jack Bauer que terminou a série viva*. Plus, foi uma das que se aproximou do personagem sem ter envolvimento amoroso com ele, entendia o Jack e dava esporro quando precisava também. E vivia pra contar a história.

(*Kate Morgan eu não conto por ter sido novata)

E eu valorizo demais isso. 24 Horas pecou na representação das mulheres por um lado (e pecou feio), mas acertou em outro quando deu aos fãs mulheres feito a Chloe, a presidente americana Allison Taylor, a sensacional, porém pouco aproveitada Renee Walker (never forgive, never forget), e a terrorista Margot Al-Harazi, porque 24 Horas não podia se despedir (isso antes do reboot) sem uma vilã de roubar a cena. No caso Jack x Chloe os roteiristas me surpreenderam ao sacrificar um ícone da TV não pelo romance, um tipo de recurso que eu odeio com todas as forças do meu corpo, mas por fazer justiça (por assim dizer) e fazer ele dar a vida (?) por uma amiga.

Aí você se pensar "mas que podre fazer por uma amiga!", eu lamento por você. Essa nossa sociedade tem que entender de vez que o amor romântico não é a única forma de amor que existe, e entender que os Titanic, Uma Linda Mulher da vida, são as maiores fantasias que o entretenimento gosta de vender. Amor piegas, dos bem açucarados e diabéticos vende, mas graças a Deus tem gente chegando para mudar isso. E tem mais é que surgir mesmo, e quebrar essa tendência insuportável que muitas vezes deixa os filmes e séries tão chatos e pobres.*

(*Olá, Agents of Shield)

Por isso o final de "24 Horas: Viva um Novo Dia" é tão importante. Porque ele saiu da caixinha do óbvio e fez justiça ao amor sem romance, mas que ainda assim é amor, à amizade, lealdade. Então por mais que seja um final triste, amargo, difícil de aceitar, ele fechou um ciclo com muita classe, me faz aceitar a ideia do reboot com mais, calma, e é mais fácil de aceitar do que os finais de outras séries*.

(*Sim Xena:A Princesa Guerreira, eu tô falando com você)

Um viva para as boas ideias?

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários :

Postar um comentário

Deixe seu recado! Mas lembre que spams, ofensas e comentários anônimos não serão aprovados.

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.