É, hoje é o dia das mulheres. "Oficialmente." Imagino quantos textos bonitos e montagens filosóficas vocês já viram nas redes sociais hoje, sendo que até eu, que mal uso minhas redes sociais tive a cota: coisas legais, outras engraçadas, aquelas que dava para ir dormir sem ter visto, mas com a minha fase atual tão blasé (indiferente), eu juro que não tinha vontade de escrever texto para hoje. Mas aqui estou, então vocês podem encarar isso como o retorno não-programado e fora de data da Atenas.

Em anos anteriores eu escrevi outros especiais, então antes de começar esse, vamos a eles:

2011: O dia internacional da mulher (metalhead)
2013: O exemplo de Simone Simons no Dia internacional da mulher
2014: O exemplo de Tarja Turunen no Dia Internacional da Mulher
2015: Sonhos, feminismo e música: o exemplo de Doro Pesch no Dia Internacional da Mulher

Cada um desses textos fez uma abordagem, tinha uma ideia, e é engraçado ver como eles refletem a cabeça de cada fase que eu vivi. O da Simone, aliás, é o texto mais lido da história do HMBR, que já nos rendeu muitos acessos, embora não pelos motivos que eu gostaria. Pessoas com tempo livre e um cérebro que incentiva a pesquisar "Simone Simons peitos".. Não está sendo fácil. Ainda assim, o quê dizer e/ou comemorar em 2016?

Comemorar (nas nerdices)
Mesmo como nerd preguiçosa, nunca vi um tempo tão bom para as mulheres no entretenimento. Eu me sinto sortuda de começar a entrar para valer no mundo das nerdices agora, a época onde muitas estão achando sua voz, outras estão conseguindo sua vez, e apesar de boa parcela da sociedade ainda reproduzir 50 milhões de preconceitos instantâneos, eu sinto que nós estamos num bom caminho. Plus, essa leve melhora na nossa representação também tem me animado.

No cinema tivemos ótimos exemplos em 2015. O consagrado Mad Max: Estrada da Fúria teve a Imperadora Furiosa, e mostrou como é possível uma mulher ser relevante sem necessariamente ser a protagonista, ou seja: tem lugar pra todo mundo. Star Wars: O Despertar da Força, fez o mundo se apaixonar sem volta pela Rey, a primeira Jedi protagonista. Até Vingadores: Era de Ultron com seus erros proporcionou a nova formação dos Vingadores com duas mulheres (mesmo que no final).

Já na TV a evolução foi mais evidente. E duplamente apaixonante. Jessica Jones, Kara Danvers, Kendra Saunders, Melinda May, Bobbi Morse, Sara Lance, Jane, Skye (ainda me recuso a dizer Daisy Johnson), Alex Danvers, Patterson, Jemma Simmons, Cat Grant, Trish Walker, Bethany Mayfair, Claire Temple, temos mulheres de todas as cores, nacionalidades, idades, do tipo complexo, revoltado, doce, durona, mas sempre com um mundo de sentimentos. E isso é uma parte, pois têm as que sem dúvida eu esqueci o nome, ou ignorei por não ver as séries do momento*.

(*mas faço menção honrosa a eternamente badass Michonne)

Até os games não ficaram de fora! Assassin's Creed: Syndicate, Horizon Zero Dawn, Fifa 16, Call of Duty: Black Ops 3, The Witcher 3The Division, e sem dúvida de Rise of The Tomb Raider eu não vou esquecer.

De forma geral, mesmo que aos poucos, o entretenimento enxergou a demanda cada vez maior por mulheres nos holofotes. Não basta ter uma Maria Hill como vice-diretora da Shield aparecendo em 20 ou menos minutos de filme, uma Pepper Pots inteligentíssima, mas sem a chance nas telonas de ser a Resgate. Não basta dar destaque a Viúva Negra e embutir um romance de gosto duvidoso, achando que o público feminino vai aceitar de forma passiva, sem criticar. Hoje não, Faro.

Comemorar (no heavy metal)
Não sei se tenho muito a comemorar quando o assunto é heavy metal. Ando um pouco de mal com o female fronted, muito mais pelos fãs do que pelas bandas, que até tem uma parcela pequena de culpa. Me distanciei porque quanto mais eu imergi nesse mundo, mais eu vi doses de preconceito geral e um machismo absurdamente enraizado que me impediram de olhar a palavra "metalhead" com 100% de simpatia, o que já nem era o caso. Entretanto, recentemente comemorei e indico pra vocês a Oceans of Slumber, uma banda de gothic/doom metal com uma vocalista negra de voz e rosto lindos. Cara crachá perfeito.

A dizer (no geral)
Sendo brutalmente sincera, eu não gosto muito do Dia Internacional da Mulher. Funciona mais ou menos como o natal, onde as pessoas agem com a maior santa compreensão do mundo, para no dia seguinte esquecerem todo o significado do que a data representa ou tenta representar. Na verdade mesmo hoje vi demonstrações dolorosas de machismo de ambos os lados (homens e mulheres), e apesar da torcida pela mudança, eu me pergunto quando essa mudança vai acontecer. Ou se eu vou viver para vê-la acontecer.

Isso me decepciona sem medida. O "problema do feminismo" foi o que me incentivou a criar a Atenas, por exemplo, a coluna focada nas mulheres do heavy metal e entretenimento, mas de uns tempos para cá eu sofro de um bloqueio do quê escrever. Assunto não falta, mas eu literalmente me perdi na terra de fulanos, sicranos e beltranos que soltam tantos "feministas cretinas" ou "feminazis" (uma palavra que eu odeio) sem peso na consciência.

Como é a vida de redatora do HMBR? Irônica, porque a maior parte do nosso público é masculino, e a maioria do conteúdo do site passa pelo filtro da minha perspectiva. Eu, Bruna, mulher. Às vezes até fico pensando se "eu não estou postando 'coisas' feministas demais", o que não faz sentido, mas é, eu penso. Ainda assim, apesar do receio diário que eu tenho de como vão receber mais um dia de textos meus, eu acho essas coisas bem legais, pois me dá a oportunidade de falar com vocês, meninos e homens, que precisam entender a nossa luta tanto quanto nós mesmas.

A conclusão
Não estamos aqui para medir forças com vocês. Estamos para fazer que nem Mad Max: mostrar que tem espaço para todo mundo. Queremos trilogias de heroínas tal como os heróis tem, queremos séries protagonizadas por elas da mesma forma que eles são protagonistas até hoje. Queremos que uma mulher numa banda de metal e seja vista pelo que ela é, e não como uma peça de carne.

Se a fulana acha o Ryu de músculos surreais lindos, ou chama o Tommy Karevik de gostoso, isso não é problema meu. Eu sei de mim, e se eu não faço isso, não significa que só porque as outras mulheres fazem que o meu direito de exigir respeito ou bom senso é inválido.

E eu.. Eu em especial quero ao menos um pouco, que a gente quebre essa Síndrome de Donzela em Perigo, bem como a Síndrome de Júlia Roberts. Claro, não é feio uma mulher admitir que precisa de ajuda, nem é pecado "o amor" (só é açucarado, clichê e muito chato), mas essas coisas já foram tão reproduzidas em filmes, livros, jogos, séries.. Vamos virar a página só um pouquinho?

Então. É isso.

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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