Post de Quinta: Conversando sobre a adaptação de "Ghost In The Shell" para os cinemas


Hollywood peca quando o assunto é adaptar material japonês ou de games para as telonas. Detona Ralph (que não adapta um game em especial, mas sim o universo dos jogos) é um meio termo bem sucedido que eu gosto muito, Street Fighter se salva porque é tão trash que acaba ficando bom, e Street Fighter - A Lenda de Chun-Li? Me julguem... Mas eu até que gosto. Do giro das novas adaptações nipônicas pelo cinema ocidental, vamos falar de Ghost In The Shell.



Apresentando a franquia
Tudo começou no mangá, mas atualmente, Ghost In The Shell é uma franquia, e das bem cultuadas. Escrito e ilustrado por Masamune Shirow, a trama tem fortes influências cyberpunks e acompanha a organização contra-ciberterrorista Seção de Segurança Pública 9, liderada pela Major Motoko Kusanagi, em um Japão do meio do século 21.

Ao todo Ghost In The Shell teve além do mangá original (The Ghost In The Shell) publicado entre 1989 e 1990, os mangás Ghost in the Shell 2: Man-Machine Interface, publicado entre 1991 e 1997, e Ghost in the Shell 1.5: Human Error Processor, publicado entre 1991 e 1996. Anime? Tivemos sim, e dois: 

Ghost in the Shell: Stand Alone Complex - produzido pela Production I.G, a responsável por animes feito MedabotsGuilty Crown, e Psycho-Pass, teve 26 episódios exibidos entre 2002 e 2003 com a direção e roteiro de Kenji Kamiyama, o diretor de um dos meus animes favoritos (Patlabor);

Ghost in the Shell: S.A.C. 2nd GIG - é a segunda temporada de "Stand Alone Complex", que teve 26 episódios e foi ao ar entre 2004 e 2005;

Ghost in the Shell: Arise - Alternative Architecture - tal como o nome meio que já sugere, "AAA" é a adaptação do OVA Ghost in the Shell: Arise para televisão. Os quatro primeiros episódios são versões editadas dos quatro filmes já produzidos, enquanto os dois últimos mostram o arco chamado "Pyrophoric Cult," uma trama que envolve o vírus "Fire Starter," introduzindo o novo personagem Pyromania.

E por falar em OVAS, ao todo eles são três: Ghost in the Shell: Stand Alone Complex - The Laughing Man e Ghost in the Shell: S.A.C. 2nd GIG – Individual Eleven, lançados em 2005, e o já citado Ghost in the Shell: Arise, lançado em 2015. "Arise" também ganhou o mangá Ghost in the Shell: Arise ~Sleepless Eye~, publicado em 2013 e ainda em andamento.

Games? Tem sim. Tudo começou com Ghost in the Shell (1997) para Playstation, Ghost in the Shell: Stand Alone Complex (2004) para Playstation 2 e em 2005 para PSP, e o FPS Ghost in the Shell: First Assault - Stand Alone Complex Online para PC, que será lançado em 2016, mas infelizmente não está disponível para nossa região. Entretanto, você pode ver mais no site oficial do game. E agora sim... Vamos falar de filme! Ao todo a franquia teve quatro filmes lançados:

  • Ghost in the Shell (1995)
  • Ghost in the Shell 2: Innocence (2004)
  • Ghost in the Shell: Stand Alone Complex - Solid State Society (2006)
  • Ghost in the Shell: The New Movie (2015)
  • E o infame novo filme, que será lançado em 2017!

A alegria e o receio com o novo filme
Um belo dia a Paramount Pictures achou por bem produzir uma versão com atores reais de Ghost In The Shell. Mesmo sem ser fã de qualquer coisa da franquia eu a conheço, e pensando neles eu fiquei como hm, that's suspicious, afinal, as adaptações de Dragonball Z e The King of Fighters deixaram um gosto além de amargo entre os fãs de cultura pop oriental. A começar por mim. Mas a armadilha pior viria por anunciarem Scarlett Johansson para o papel da Major Motoko. Aí eu cai de cabeça no limbo e te digo o motivo.

Quem é leitor atento já viu N vezes que eu gosto da Scarlett. Inclusive, meu post do Dia Internacional da Mulher de 2016 estampou uma das minhas personagens e heroínas favoritas que é a Viúva Negra, mas isso foi só a porta de entrada para eu começar a explorar a filmografia da atriz e se você nunca viu Ela (Her), veja para anteontem. Mesmo. E se por 50% eu fiquei fã porque o que eu mais quero é que a Scarlett brilhe em outros papéis (principalmente os do universo nerd), 50% ficou com a pulga sussurrando no meu ouvido whitewashing, whitewashing.




E que diabos é o "Whitewashing"?
É literalmente tornar algo que não é branco, em branco. Pode viés de censura ou viés de racismo, esse pelo qual Hollywood é conhecida por todas as vezes que escalou atores e atrizes caucasianos para papéis não-caucasianos, ou seja, apagando a identidade étnica/cultural do grupo X e Y, sendo que os filmes já não exatamente são conhecidos pela sua diversidade de personagens ou até de cenários, onde por exemplo, o mundo sempre acaba em Nova York, nunca nos outros países.

No caso específico de Ghost In The Shell, uma personagem oriental será vivida por uma atriz de ascendência dinamarquesa e polonesa. Temos Takeshi Kitano, Kaori Momoi, Chin Han, Yutaka Izumihara, esses sim escalados de forma correta. No mais, tá tudo errado e bugado.

A jogada de marteking por trás da escalação
Trazer uma das atrizes mais famosas do universo nerd atual (se não for a mais famosa) e contrariar o bom senso da representação correta tem um único objetivo: marketing. E não que eu concorde, mas eu entendo. Embora ainda assim, eu vejo a primeira foto da Motoko que foi lançada hoje e motivou esse post e não sei o que dizer. É estranho. Um tanto. Fisicamente falando, de Motoko essa Motoko não tem nada, mas ainda assim ela terá nome oriental. Viu como é confuso?

Eu custo a acreditar que não existam outras atrizes orientais bacanas. Ou o mundo pensa que do oriente só vieram Lucy Liu e Ming Na Wen, e fechamos a lojinha? Ming Na, por ironia de assunto/post, passou pelo elenco do citado Street Fighter e tornou-se não só a Melinda May de Agents of Shield, mas uma das melhores personagens da série, uma das melhores atrizes da TV, com 52 anos e fazendo as próprias cenas de ação. Resumindo: você nunca sabe quando vai achar outra pérola dessas se as atrizes orientais não tiverem a chance de aparecer.



Mas que fique claro de quem é a culpa
E não é da Scarlett. Esse é um comportamento reincidente de Hollywood. Ela poderia sim, jogar tudo no ventilador e levantar o problema, negar o papel, mas convenhamos... Você numa situação assim, não rejeitaria. É triste, injusto, mas é real. Outra: para a Paramount olhar, suspirar e dispensá-la sem pensar duas vezes para conseguir outra atriz do mesmo biotipo, custaria um monte de nada.

E então, como é que ficamos?
É possível que eu veja esse filme, não sei. Fico e fiquei extremamente dividida com essa história toda. Eu espero pelo menos que seja uma boa produção, e que não venha uma bomba atômica ao nível de Dragon Ball Evolution, porque aí sim eu passo dessa para a pior. Vamos aguardar.

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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