Primeiras críticas de "Warcraft" indicam que a maldição dos filmes de games continua


Hollywood se esforça, tenta, ou ao menos finge que tenta, mas os gamers são assombrados há muito tempo pelas as adaptações de títulos famosos para o cinema, motivo pelo qual os fãs de Warcraft/World of Warcraft esperam pelo filme com um mix de animação e receio. Pudera. O envolvimento do diretor/co-roteirista Duncan Jones -responsável por filmes como Lunar e Contra o Tempo- parecia... Promissor? O envolvimento da Blizzard Entertaiment, por sua vez, parecia garantir a fidelidade visual e mitológica dos games, pelo menos considerando os trailers.

Jones e a Blizzard são os nomes da vez na roda e a pergunta é só uma: poderia a adaptação render algo que satisfaça aos fãs, mas também aos não-fãs da franquia? Tecnicamente, sim. A pessoa que vos fala é avessa a RPGs e mais ainda aos MMORPGs, mas o coração sempre se abre para novas experiências, então havia (?) um interesse real. Plus, com um cenário fantástico-medieval digno de grandes produções da atualidade (sendo Game of Thrones o exemplo mais óbvio), parecia haver algum potencial. Entretanto, com a divulgação das primeiras críticas de Warcraft, fãs talvez cocem a cabeça.

Ok, convenhamos: poucas críticas foram divulgadas, e com isso a situação pode mudar... Para melhor ou para pior, uma vez que o grande público comece a reagir ao filme. Mas, como nós vivemos uma era onde as "primeiras reações" ou as "primeiras críticas" viraram moda, e podem morder em cheio o calcanhar de grandes produções (Batman vs Superman much?), vamos voltar ao foco e comentar o caso Warcraft.

Começando com as críticas negativas:

The Wrap – Alonso Duralde

Duralde é enfático: "Warcraft" redefine o termo "cinema corporativo sem alma," e diz até que o filme se classifica no fim da lista de filmes do gênero. Sem a verve ou comédia não intencional de "A Reconquista," por exemplo, o crítico ressalta que Duncan Jones tem experiência em trabalhar histórias que não perdem os personagens de vista, nem o preço das circunstâncias extraordinárias nas quais eles foram colocados.

Mas desta vez, dividindo o crédito do roteiro com Charles Leavitt de "No Coração do Mar" (que foi tudo menos um sucesso..), e com base na história e personagens de Chris Metzen, Duralde pontua que Jones acaba lutando com muitos personagens e locais e motivações e subtramas. Hm.

Variety – Geoff Berkshire

Berkshire começa citando algo que era a preocupação da pessoa que vos fala: "a pouca preocupação com os já perplexos com a menção de orcs e magos," já mergulhando de cabeça num reino de fantasia repleto de criaturas míticas, magias, personagens e locais com nomes exóticos. É o que ele chama de "abordagem ame-o ou deixe-o" propensa a fazer a maior parte do público deixar, embora os devotos do material de origem possam ter uma experiência totalmente diferente.

São fatos que acontecem, entretanto, apesar do esforço nobre de Duncan Jones, que trabalha fortemente para criar uma fundação emocional sólida no roteiro com Charles Leavitt, mas aí vem o problema... Berkshire opina: os jogos "Warcraft" nunca foram feitos para ter a profundidade narrativa de "O Senhor dos Anéis" ou "Game of Thrones," mas ainda assim o filme copia livremente de ambos, assim como "Star Wars," "Planeta dos Macacos: O Confronto," "Avatar" e outros sucessos recentes.


Já do outro lado temos as críticas positivas, embora mornas possa ser talvez o adjetivo mais adequado para elas, pois apesar de elogiarem aqui e ali, as críticas são bem presentes:

Screen Daily – John Hazelton

Hazelton elogia a "aventura de espada e feitiçaria 3D", mas ressalta que a computação gráfica pesada e a ação cartunesca (seja lá o que ele quis dizer com isso?) devem funcionar melhor com os gamers e fãs específicos de Warcraft, mesmo que o drama lento possa limitar as chances de Warcraft como propriedade -que já virou romances e HQs- tornar-se uma franquia de filmes de longa duração.

THR – Sheri Linden

Liden toca no coração de outra questão crucial: se você nunca jogou Warcraft, você pode se importar com um filme de Warcraft? Ela então explica que para os não-aficionados a experiência de duas horas poderia ser mais concisa, mas que não chega a ser um calvário, embora também não seja envolvente de forma consistente (um ping pong de elogio e crítica, risos). Linden não deixa passar outro detalhe: que as pessoas que nunca investiram e conhecer a mitologia de Warcraft podem sentir o ficar no limite do exagero, se não maçante ou ambos...

No entanto, ela elogia dizendo que é um "grande avanço" tanto em narrativa quanto por arte. E aqui ela diz algo que vai nas palavras dela "E em comparação com outro conto medieval, a enfadonha trilogia Hobbit, essa produção internacional é uma viagem rápida e ágil, provavelmente para conquistar bilheterias no exterior e ter um desempenho sólido nos EUA."

Então é isso. As críticas acima batem numa tecla relativamente óbvia: o apelo maior de Warcraft será entre os fãs, mas mesmo estes podem acabar saindo do cinema desapontados com a adaptação. Outro ponto previsto é o elogio aos efeitos e elementos visuais, enquanto mesmo as críticas negativas destacam o esforço de Duncan Jones em tentar atender tanto aos fãs novatos quanto os de longa data, embora no geral, fique meio claro que a maldição dos filmes de games continua. A crítica do Kotaku ajuda a reforçar isso, infelizmente.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos estreia no Brasil no dia 9 de junho. Fica agora a dúvida e a certeza: só vamos ter a noção real de tudo isso ao assistir, mas aí vem a pergunta... Quem vai se arriscar?

Via Screen Rant

Sobre Bruna

Nerd preguiçosa, pseudo metalhead, cristã, metida a jornalista, mas formada em publicidade. Faz-tudo, sofre-com-tudo, nunca-dorme-direito. Expert em virar criança com Pokémon e Saint Seiya.

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